Da história à atualidade
origem
A sua origem remonta ao século XIV, quando o Rei D. Pedro mandou edificar em 1362 uma igreja, como demonstra a lápide medieval ainda hoje presente na fachada deste templo. Em 1364, o mesmo monarca concede-lhe uma carta de privilégios, com enormes isenções e liberdades, com o intuito de facilitar o povoamento desta nova localidade. Vivendo essencialmente da agricultura, pastorícia e outras actividades mais rudimentares, a Glória do Ribatejo desenvolveu uma cultura muito peculiar que a diferenciou das restantes freguesias do concelho.
Com uma identificação cultural muito marcante, construída no dia a dia desta população, ainda hoje é possível observar nesta povoação costumes ancestrais. Uma das razões apontadas para a preservação destes valores prende-se com a endogamia. No passado, ao evitar casamentos com outras pessoas de outras localidades, este povo conservou genuinamente os usos e costumes dos seus antepassados.
Apesar de ser assediada por outros valores, a Glória do Ribatejo soube sempre respeitar a sua identidade cultural, motivo pelo qual esta vila ainda hoje se orgulha de respirar tradição.
a lenda
Em fins de 1366 ficou ligado à história da Glória do Ribatejo a lenda de El-Rei D. Pedro.
Andava D. Pedro batendo os matos da charneca com séquito e matilhas quando, entusiasmado na perseguição da peça grada, se isolou da sua gente. O corcel frogoso abria clareira nas ervas, incitado pelos seus brados, e o veado, bonito exemplar, nervoso e ágil, altivo na imponência da sua armadura bem lançada de galhos, tomava-lhe a dianteira numa fuga desesperada.
Mas o cavalo não cedia, antes tragava aos poucos a distância que o ruminante lhe levava.
El-Rei, embriagado pela luta travada, esporava sempre, olhos aguilhoando o objectivo da carreira, esquecido da companhia. De súbito, surge um pego enorme. E enquanto o veado o galgava, desaparecendo no cerrado da vegetação em bacanal, D. Pedro caiu-lhe dentro, tolhido o cavalo por intraduzível torpor.
De entre moitas, à sorrelpa, um bicho desconhecido, espécie de gato enorme, caminha para o atacar e, numa derradeira esperança, El–Rei invoca a Virgem da Glória. O bicho, sem mais quê, de novo se embrenha no mato e D. Pedro, livre e são, logo ali jurou erguer uma ermida a perpetuar graças. Outros não dão comparsia ao veado. O bicho perseguido salta o pego e o rei passa o mesmo momento angustioso.

atualidade
Por muitos considerados a vila mais ribatejana de Portugal, situada na parte Sul do Ribatejo, entre os rios Tejo e Sorraia a 16Km de Salvaterra de Magos e 4,5Km de Marinhais - no concelho de Salvaterra de Magos, distrito de Santarém - ocupando uma extensão de 10mil hectares terra. Situada .
Pertenceu à freguesia de Muge, mas actualmente é sede de freguesia, concelho de Salvaterra de Magos, distrito de Santarém. A localidade passou a vila em 20 de Maio de 1993. Numa perspectiva histórica, a Glória tem provavelmente sete séculos de existência. Situada numa região plana e aberta, não teria um tipo definido de habitante. Favorecida pela protecção real (carta de mercês), o povo da Glória voltou-se para a charneca, cultivando e criando gado. Isentos do serviço militar durante anos, este povo foi-se “fechando“ nos seus hábitos e costumes tradicionais e característicos.
Com a guerra colonial, que levou muitos jovens para fora da terra e com o aparecimento do posto emissor (Raret), muito se alterou na localidade. Houve abertura aos hábitos e costumes exteriores, mais postos de trabalho com os seus benefícios económicos, desenvolvimento escolar e possibilidade dos jovens continuarem os seus estudos.
Actualmente as mudanças sociais são bem visíveis na Glória devido à formação dos jovens, havendo agora muitas profissões liberais e cursos superiores.